sexta-feira, abril 04, 2014

Canto de raiva e vontades


Se você soubesse a raiva que tenho

a raiva que te tenho cada vez que te tenho

e mais ainda cada vez que você se vai

e não sei se já estou aqui ou ainda venho

se você soubesse a raiva que me dás

cada vez que te dás e eu te pego e te recolho

e ao chão que me apego vai parar a minha valentia

e meu jeito de boa pessoa cumpridora de suas obrigações

e se você, maldição, soubesse apenas um pouco

que vontade de estar em ti na hora em que te vejo

como se fosse possível ser o que não dá

mas e se desse e você quisesse e a gente se perdesse

que raiva que teria se tudo fosse assim,

apenas um tchau teu depois de tudo acabar

e se a poeira entrasse em minhas narinas

e te respirasse, te aspirasse, te transpirasse

da ponta do dedo à ponta do cabelo

enrolando teu querer e como pré-histórico ofídio

e parasse, sorrindo, no meio de teu gosto,

se você soubesse que teu cheiro aperta

o meu peito, que o exploro em meu leito

que não tem mais vez, que não tenho jeito

de te querer menos, de te enterrar menos

no cemitério que carrego aqui na mente

ah se você soubesse dessa minha raiva de beber

cada vez que tua lembrança me estapeia

por esta droga de boa memória que tenho

mas não era nada isso que eu queria...


eu só queira, como quem não quer mais,

que não perturbasses minha rotina de paz.

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