quarta-feira, dezembro 05, 2018

UM POEMA PARA O FINAL DE SEMESTRE LETIVO




O prazo é amanhã

Tá na hora

Tá na hora

O que será que aconteceu

Com o pensamento que se perdeu

E não achou o caminho para o prazo

Que sucumbiu ao tempo e ao espaço

Que se enredou nele agoniado

Em um fim de ano descompensado?

sexta-feira, novembro 30, 2018

Diário de um mestrando – 10º mês


Há três meses publiquei pela última vez sobre minhas penas no mestrado. Até cheguei a elaborar o diário no mês seguinte, mas fiquei ou com muito cansaço ou sem computador. Não, não fui tomado por uma doença ou tive o aparelho roubado. Foi bem pior: entrei no modo reforma de casa, um sofrimento que vinha adiando há alguns anos mas que em 2018 decidimos encarar. 


Um pouco de bom humor no status do instagram para aliviar as penas
O resultado foi que passamos, toda a família, a viver entre caixas com as nossas coisas empacotadas, caixas com material que deveria vir em algum momento para a obra, caixas que ninguém sabia o motivo de estarem ali e muito desconforto no lugar onde morávamos, já que nada estava em seu lugar habitual. O nosso cotidiano ficou todo direcionado para acordar, vir na obra, ir nas lojas de material de construção, vir na obra, ir nas lojas, vir na obra, ir nas lojas...

Caixas na casa nova
Fui tudo em um crescente, claro. Talvez o atraso no trabalho tenha rolado pela nossa leve ausência no começo. Mas depois praticamente ficávamos o dia inteiro. Resultado além de estar novamente em casa depois de alguns anos fora? Demorei a entrar no modo “semestre 2018.2”. 

Chegava tão cansado em casa que não tinha disposição para algo além de sentar e ver as imagens da TV passarem ali, sem comunicar muito, sem dizer quase nada. Passei a dormir mais cedo do que nunca havia dormido na vida e a acordar idem. Na verdade, houve noites em que quase não dormi.

Foucault...que leitura difícil
Isso me atormentou muito. Talvez não seja o gênio intelectual das humanas, mas gosto de ir para aula pelo menos com um pedaço do texto lido. Acho um desperdício de tempo e de curso não ter lido o material antes e ficar sem poder discutir os conteúdos. Quer dizer, posso até não discutir por falta de entendimento, mas aí já é outra história.

Um meme que me representou este semestre

Acho que só fui entrar no semestre uns dois meses depois que havia começado. Foi quando limpei a minha velha mesa e abri o computador, li um PDF, mexi no caderno de anotações, me senti um estudante sério novamente. 

Apresentando um texto do Walter Mignolo sobre desobediência epistêmica e descolonialidade na disciplina Seminário de Pesquisa, ministrada pelos professores Adriana Albano e Emerson Carvalho
A colega Valdirene dizendo que desobediência é eu continuar usando bermudas a vida inteira. hahahaha

Tive que fazer jornada dupla para dar conta das leituras atrasadas. Quando terminava de ler o material da próxima semana, começava a ver o que havia sido passado no começo do semestre. Aí então as falas faziam algum sentido.


Quando tudo parecia estar engrenando, logo nos primeiros dias da gente estar curtindo nossa casinha quase nova, Lai, minha enteada, teve uma crise violenta de desmaios e convulsões que durou uns 16 dias. Foram momentos duros. Zanny ficou praticamente morando no hospital e eu fiquei responsável total pela casa, pelo suporte externo a elas e pelo Edgarzinho e seus estudos. 

O bom disso tudo é que aprendi um bocado de coisas de matemática, tipo a multiplicação pelo método da gelosia e a multiplicação pela propriedade distributiva (isso aqui me levou uns dois dias entender).

Agora no dia 25, para completar o quadro de agonias, morreu seu Adair J. Santos, meu sogro, um cara bacana no trato e um escritor também. 

No meio dessa crise no hospital e na vida rolou a eleição... Que desastre o resultado, digo apenas isso...

O banner digital que espalhamos para avisar aos amigos e conhecidos a notícia da morte de seu Adair
Além de tudo o dito acima, rolou um atraso violento também no avanço do texto da qualificação. Não tinha nenhuma condição de parar para ler, analisar e processar o material. Só fui retomar isso agora em novembro. Continuo atrasado e agora um pouco confuso sobre como avançar na questão das categorias de análise. Mas o bom é que a prensa suave que levei da professora Leila, minha orientadora, me tirou do lugar e já fui fazer a entrevista com o sujeito de estudo, o MC Frank D’Cristo. Vou analisar quatro músicas dele para tentar identificar quais elementos ele usa em suas narrativas músicas para construir-se identitariamente. 

MC Frank D'Cristo (Foto: MC 7niggaz)

Eu, concentrado na hora de perguntar as coisas pro Frank (Foto: MC 7niggaz)

Sim, isso mesmo. Construir-se. Sou desses, bem pós-moderno dos Estudos Culturais. 

Dezembro será dedicado a isso e a escrever um artigo para a disciplina...Caraca, só sei os nomes das disciplinas se olhar o caderno...pronto, colei: Arte, Cultura e Identidade, ministrada pelos professores Eduardo Amaro e Tatiana Capaverde. Tenho vontade de usar conceito do Cronotopo, de Mikhail Bakhtin, Baki para os íntimos, mas não sei como. Quer dizer, saber, até sei. Não sei em que. Ainda. 

Bardin e Bakhtin, uma dupla legal

Ah, participei da Semana de Letras da UFRR. Foi minha primeira vez neste tipo de evento. Achei legal e não tão dolorido como pensava. Claro, há de se ter o que falar para ir lá na frente. Essa é a parte dolorida. Ah, sim. Fiz uma comunicação oral sobre minha pesquisa. 
Bueno, que más? Deixa eu lembrar...: reformei a casa, voltei para minha casa, continuamos mexendo na casa, voltei a ler os textos, estou lendo coisas novas além das disciplinas, quase acaba o semestre, acho que aprovei no semestre, falta fazer um artigo para aprovar numa das disciplinas do semestre, estou pedalando sempre que possível, estou lendo sobre categorias e sobre análise de conteúdo para poder avançar no texta da qualificação, a qualificação será em fevereiro, então está logo aí, no virar do mês praticamente, estou cansado algumas muitas vezes, sentindo-me um pouco incapaz, quer dizer, incapaz não, meio lento na verdade.



Mapeando em qual sala ia rolar a parada oral

Uma das mesas do evento

Acho que é isso...dezembro não tem mais aula a partir da próxima semana, ficando com mais tempo livre para agilizar o que deve ser agilizado...


Vou embora. Tchau. 

































quarta-feira, agosto 22, 2018

#05 Mostrando as coleções: estátuas Crazy Toys do Wolverine

Na edição #05 da nossa série "Mostrando as coleções" trazemos duas estátuas do personagem Wolverine. Uma foi comprada em São Paulo e a outra é da marca Crayz Toys, via Aliexpress.


   


 Se gostou do vídeo e quer que a gente continue botando vídeos de nossas coleções, deixa seu joinha, compartilha e mostra pro mundo um pouco do colecionismo na Amazônia!

segunda-feira, agosto 20, 2018

#04 Mostrando as coleções: Batmobiles do McDonalds e da Shell e miniaturas Eaglemoss


Na edição #04 da nossa série Mostrando as coleções trazemos nossos Batmobiles do McDonalds e da Shell, além de algumas miniaturas Eaglemoss que temos aqui em casa. 

Se gostou e quer que a gente continue botando vídeos de nossas coleções, deixa seu joinha, compartilha e mostra pro mundo um pouco do colecionismo na Amazônia!

terça-feira, agosto 14, 2018

Tínhamos todas as boas opções do mundo...






Tínhamos todas as opções do mundo, mas escolhemos justamente navegar placidamente em mares de raiva. Optamos por não olhar para as nossas responsabilidades, por evitar críticas fundamentadas, estudadas, refletidas, analisadas.

Optamos por esquecer que acima de nós havia uma outra categoria de pessoas com mais poder, mais dinheiro, mais voz e outros interesses que não os nossos. 

Optamos por ouvi-las e segui-las, sem atentar que seus destinos não eram os nossos e que seus alertas de “perigo” e “basta disso” eram um canto da sereia que levaria nosso barco às pedras e o deles ao porto.

Tínhamos tanto amor para espalhar, para postar e respostar, mas optamos por sermos ínfimos, maledicentes, por entrar em listas pedindo que fechassem as portas da casa que sempre adoramos quando nos éramos os visitantes, os estranhos, reis em outros lugares.

Nem todos fomos assim, é verdade. Houve quem não gritasse ódio e sim berrasse amor, fraternidade, entendimento, compreensão, empatia e outras coisas consideradas bobagens. 

Houve quem mantivesse isso e houve quem apenas falasse, sem nunca ter agido com amor, que já bastava de tanto carinho para os outros, que estava na hora de ser carrancudo, odioso, opressor, mesquinho e outros adjetivos confundidos com moralidade, patriotismo e cuidados com os da terra.

Houve quem falasse em meritocracia enquanto bebia algo caro sentado na cadeira de couro que ganhou de sua família, de seu esquema financeiro corrupto e corruptor, de seu padrinho político... 

Houve quem falasse em religião como motivo mais do que justo para não aceitar o diferente e ouve quem usasse a religião como motivo mais do que justo para apontar sua língua bifurcada contra o diferente.

Claro, houve muitos que amaram, que abraçaram, que criticaram o alvo certo, mas continuaram ajudando. E houve também quem foi ler mais, ouvir mais, conversar mais, lembrar mais de si e de seu passado (ou do passado de seus antepassados) para entender que a história é cíclica e o mundo dá voltas por ser redondo – nunca plano, apesar da insistência.

Uns tinham todas as opções do mundo e optaram por gritar em vez de abraçar.

Outros (ainda bem que havia bem em outros) também tinham todas as opções do mundo e escolheram a empatia, a ajuda, o entendimento de que amar só os próximos e os conhecidos não faz sentido e de que o mundo é muito grande para alguém insistir em ser pequeno e achar isso uma grandeza.

domingo, agosto 05, 2018

Embelezando o jornal com outros escritores de Roraima

O povo da coluna Okiá, veiculada no jornal Folha de Boa Vista, publicou esta semana uma foto na qual apareço com outros integrantes da cena literária de Roraima. 

A imagem foi produzida pela equipe do Sesc Roraima para o evento Sesc Literatura em Cena e nela aparecem, além de mim, óbvio, Zanny Adairalba, Aldenor Pimentel, Felipe Thiago e Tana Halú. A foto saiu no dia 31.07.18.





No print da versão digital ficamos ainda mais charmosos, acho: 


sexta-feira, agosto 03, 2018

Poema quebrantado e aleatório


Amendoim seco uma briga haverá amanhã
que tempo é esse inverno que
nunca
acaba até
quando esse silêncio tão forte uma
ca
ra 
de
chá uma taça
de vinho um copo de
água dúvidas muitas
dúvidas uma página cheia de letras e de
significados
e
nenhum entendimento
lembranças de quem
não está mais papeis com anotações letras
feias letras desagradáveis promessas
nunca
feitas sempre cobradas teorias
espancando tua ignorância tão bonita e tão
explosiva
a expli
ca
ção nunca entendida
a mentira toda a verdade toda a falta de luz é de tarde
é de dia haverá um eclipse haverá lua e sol verão e praia haverá
esforço o cérebro
 cansado o cérebro exposto
a mente cansada a mente exposta faltam
habilidades nunca serás
tão detetive tão observador tão genial tão bom acabou recomeçou extinguiu-se apagou a chama nunca houve chama
que talvez se vá talvez se ouça ao longe sons ao longe
vida ao longe promessas leia cante chore grite viva diz o cartaz no chão
o sol
o sol
o sol
queima tudo queimam todos os
silêncios cortam afogam cansaço
voltas em torno
do
toco
Toca jazz
Aqui jaz uma
Ideia uma ideia uma ideia
e nunca mais faça castelos
de areia de ar nas
nuvens
que vêm
relatórios que matam
não há criatividade para formulários
não há formulários para criatividade
não há atividade nos formulários
não há diários para a cidade
Nego
ciações à luz de vinho e um
Pouco mais disso e um pouco mais daquilo que não nos devora a alma nem provoca
Nem assopra
Nem corta
Mas machuca a música triste que toca
Um pouco de vinho um pouco de vinho e um pouco de vinho
Afas
tando medos afastando clarezas afastando...

quarta-feira, agosto 01, 2018

Diário de um mestrando em Letras - quinto mês

09.07.18 Segunda

Hoje é feriado em Boa Vista. Aniversário de 128 anos de criação do Município. 
Pensei em me dar folga, mas seria abuso. Fui pelo menos tentar adiantar e melhorar as questões do roteiro de entrevistas ao futuro sujeito da pesquisa. 

Fui caminhar no parque Anauá também. Pegar uma carga de vitamina D. 

30.07.18 Segunda




Uma xícara de chá e mais uma e outra e de novo... Foi assim quase o mês todo, sentado à mesa, reescrevendo (mais tentando que reescrevendo) o artigo da disciplina da professora Déborah e avançando palavra a palavra nas demandas da qualificação deixadas pela professora Leila. O primeiro mandei faz quase uma semana. 








Entre travas e travadas dei uma parada para receber uns amigos da Venezuela que há muito não via. Depois que foram embora, adotei a metodologia de sentar para trabalhar manhã e tarde. Entre lerdezas e vazios, avancei, fechei e mandei. 





Meme eu que fiz 

Já as demandas da quali estão aí, ainda assombrando-me, engolindo-me. São tantas que até tive de numerá-las. A resolução não acontece por ordem de ordenamento e sim por questão de facilidade. O mais fácil, ou que aparente ser, já meio que foi. 




Agora, no momento em redijo isto, estou usando esta escrita como uma forma de aquecimento cerebral para encarar a busca de um conceito, de uma ideia, que não consigo pescar do texto que leio e releio há uma semana. Na verdade, eu sei o que quero, mas não consigo pegar do jeito que quero. É como uma pescaria sem anzol: o peixinho está ali, burlando-se de mim, bem à minha frente. 




Sobre pescarias sem anzol: peguei dia desses uma piaba com a mão lá no lago do parque Anauá. O que isso a ver com a academia? Nada. Só que agora lembrei disso ao escrever o final do parágrafo acima. Ou será que escrevi o parágrafo acima para justificar a lembrança a seguir?


Quase um karatê kid do pega piaba


Abri meu e-mail funcional hoje depois de uns dois meses. Muita mensagem que não me interessa e uma avisando que a grana da UFRR para participação em eventos acabou....Bah, por isso que não me empolgo em ir aos congressos. Se for para viajar a trabalho bancando tudo do próprio bolso, nem me esforço.

Na primeira quinta-feira de agosto vamos apresentar o trabalho de fechamento da disciplina que foi ministrada pelos professores Mibielli/Tatiane/Esqueci o nome/Maurício. Podíamos escolher entre fazer um artigo ou produzir um vídeo abordando a temática da memória. Fiz grupo com a colega Alessandra Cruz e montamos um vídeo com interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) do poema de minha autoria intitulado "Museu em reformas".

O poema vai integrar o livro "Incertezas no meio do mundo", que devo lançar ainda este ano se o Governo de Roraima pagar a grana do edital de literatura que ganhamos no começo do ano. Tá difícil, mas temos esperança que o pagamento saia logo. 


Alessandra Cruz, Luan Selfish (que editou e fez a locução do vídeo) e eu



Alessandra e a intérprete Joice Moura afinando a "declamação" do poema

30 de julho. Não sei se haverá novidades a serem acrescentadas até amanhã, 31. Se houver, volto. Se não, até a próxima edição de meu sofrimento acadêmico.  


22h12

In vino, água e chá, veritas. 
Ou não. 
Quiçá apenas ressaca, mas apostemos na veritas. Isto é, no conceito escorregadio sendo pego para servir de tempero à qualificação. 


Vinho com chá e água ao fundo... hidratação é tudo

31.07.18 Terça

E então calcule o susto que tomei quando vi que deveria entregar um trabalho impresso e não digital e que além disso não havia seguido uma série de recomendações para a formatação do mesmo. E veja que a entrega deveria acontecer nesta quarta, das 8h às 11h, e o prazo ia ficar curto porque você havia prometido levar seu filho ao cinema, uma despedida das férias e preparação para os dias árduos que virão no quinto ano dele. 

Aí então você terá, quem sabe, uma noção de quanto trabalhei na tarde de terça, cortando páginas e ajustando detalhes. Ah, no meio disso, fiquei lendo as mensagens e notícias que chegaram sobre um vídeo no qual um missionário explica a migrantes como funciona o processo de desocupação no Brasil. O material viralizou na cidade e o pessoal aproveitou para reacender as chamas do xenofobismo. 

No meio disso, matérias que ignoravam o contexto da explicação ajudaram a criar o clima de "indignação popular". Só deu isso nos grupos. Sobre os ataques das facções em Boa Vista e um monte de cidades do Interior e a incapacidade das polícias em conter os grupos criminosos, nada ou quase nada. Os imigrantes são bem mais fáceis de atingir do que os caras do tráfico. Ou então ninguém acha perigoso as gangues ratearem entre si a cidade. 

Ah, cortei tanto texto que me autodenominei um super-herói: Motosserra Man, o herói dos cortados. 


Eram 25 antes, mas Motosserra Man entrou em ação


Poderia ser também o Santo das Madeireiras.

Well...Vem a gosto, agosto. 

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quarta-feira, julho 25, 2018

Todos tão iguais - um poema sobre migração (texto e vídeo)

Olha só que legal este acontecimento de julho: os alunos da oficina de teatro da Escola do Sesc Roraima interpretaram um poema de minha autoria. 

A dramatização de "Todos tão iguais - um poema sobre migração" fez parte da programação turística do Fórum de Presidentes de Federações do Comércio, que reuniu mais 100 representantes das entidades (Fecomércio-Sesc-Senac-IFPD) de 16 estados do País. 

A direção da interpretação ficou a cargo de Karen Barroso, instrutora da oficina.

Abaixo, você pode conferir a performance dos alunos. Na sequência o poema. 



Todos tão iguais - um poema sobre migração

Eu já fui lá de fora

Ele já foi de lá fora
E não duvide: você também já foi bem lá de fora

Minha família veio de longe

A família dele veio de por aí
E se você pensar um pouco
Sua família também não é daqui

Quem é só do lavrado 

Se somos de todos os cantos
Temos vários sotaques, várias cores 
Amamos vários sabores?

Em um estado como Roraima

Formado na base da migração
Não gostar do migrante é bobagem
É ódio sem lógica e nem razão

Pense apenas um pouquinho 

Nisto que vou lhe falar:
E se fosse você por aí
Tentando a vida recomeçar?

Como gostaria que fosse

O tratamento por você recebido
Xingamento, pedrada, brutalidade
Ou mãos estendidas em sinal de amizade?

Reflita sobre o que lhe falamos

Pensem no que dizemos antes
Moramos no meio do mundo
Somos de todos os cantos
Somos todos migrantes

Eu já fui lá de fora

Ele já foi de lá fora
E não duvide: você também já foi bem lá de fora.


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P.S.: Caso você não tenha visto minha fala sobre a influência da migração na literatura roraimense, dá um click aqui e vê como foi o encerramento do II Sesc Literatura em Cena, realizado em junho pelo Sesc Roraima.  

quinta-feira, julho 05, 2018

Diário de um mestrando em Letras - quarto mês

12.06.18

23h33

Sim, eu deveria estar namorando minha mulher a esta hora, curtido o dia dos namorados, mas estava fazendo as correções no texto que está sendo preparado para a qualificação. A gente vai escolhendo as prioridades de vida e brincando cada vez mais de ser responsável.

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Amanhã vou pegar o protótipo de artigo que fiz para a disciplina de Linguagem e Identidade. A profxs já apontou uma falha que percebi hoje pela manhã: não usei os autores da disciplina na análise do material, só na fundamentação teórica.

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Ando aproveitando um pouco da folga da liberação para resolver problemas particulares que estavam parados havia muito tempo e, não sei o motivo, não haviam se solucionado sozinhos. Acho isso um absurdo...

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Amanhã-daqui a pouco tem mais um encontro lá do evento semanal com a turma da literatura em Roraima.
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Falando em literatura em Roraima, semana passada participei do Sesc Literatura em Cena 2018. Muito legal coordenar os bate papos dos Diálogos Literários, uma espécie de talk show que havia bolado para a Feira de Livros de Sesc em 2010, acho. Me senti bem sendo o mediador-entrevistador da turma. Superei uma barreira que tenho, que é a de fazer perguntas focadas. Também fiz parte de uma mesa que discutiu literatura e migração. Coloquei tudo o que falei nesta postagem.

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O ruim é que agora tenho que correr atrás de leituras, correções e outros tempos perdidos.

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Hora de ver uma série curta para relaxar e dormir.


13.06.18 Quarta
11h32

A manhã foi-se voando entre ter ido dormir à 1h30 da madrugada, acordar às 6h20, participar do evento da literatura na UFRR e editar um release para a Zanny divulgar um prêmio que recebeu em Cuba.

Esse aí acima é o cartaz de divulgação do evento da literatura.

A Hêndria emocionou todo mundo (na verdade fez chorar todo mundo) contando como o pai é o principal fã dela e sempre comprava os jornais em que eu publicava os poemas dela na época que mantinha a coluna Rede Literária. Também lembrou das vezes em que participou do Sarau da Lona Poética e de como dava força para ela cantar e declamar. Bem legal fazer parte da vida artística das pessoas.


14.06.18 Quinta
Nada como reescrever tudo o que você achava que tava redondinho para te deixar em pânico pré-apresentação por conta do curto tempo para aperfeiçoar tudo.

....

Tô cheio das pendências, por sinal:
1. Texto da quali precisa de revisão e acréscimos. Já faltei esta semana.
2. Texto da professora Débora vou reescrever todo ele pq não quero correr riscos...E tava tão bonitinho...
3. Vou ter que bolar um roteiro para fazer um vídeo da disciplina de memória. E filmar. E editar. E gostar... Isso tudo tem mais tempo pelo menos.

Acho que só. Preciso separar bem os tempos para não me atrapalhar. E preciso voltar à academia também.

30.06.18 Sábado
Na verdade não estou escrevendo isto no final do mês. Estou mentindo para o diário, para o leitor, para mim. Estamos em julho já. Esqueci, adoeci, cansei...muitas justificativas para quase ter largado esta minha ideia de registrar a caminhada do mestrado....

Imaginem vocês, raros leitores, que estamos de verdade no último dia de julho e cá estou tentando relembrar o que aconteceu entre esta data e o dia 14, a última vez em que havia aberto o arquivo. Vamos ver:

- Julho foi complicado. Teve a feira do Sesc que me puxou para alguns dias de trabalho focado e depois teve um virose/reação alérgica violenta que me jogou na cama por vários dias, com fotofobia, febre, dor de cabeça, sono infinito, fraqueza e a quase certeza de que agora sim iria morrer. Tudo isso tirou meu ritmo de estudos, de concentração. É muito fácil para mim perder o foco. Difícil é retomá-lo.


- Apresentei o trabalho da disciplina Débora e agora em julho vou apenas melhorá-lo.






Parte de minha turma, durante outra apresentação em outro dia


- Ainda estamos tendo aulas com o professor Maurício. Ele voltou agora em junho e já faltei duas aulas: uma por estar no Sesc e a outra por estar doente. Numa delas ia falar sobre minha análise semiótica duma matéria do jornal O Átomo, que circulou nos anos 1950 e que um projeto dele (Maurício) digitalizou. A matéria era na verdade uma nota à comunidade assinada por um grupo de servidores públicos do antigo Território Federal do Rio Branco (depois viria a ser de Roraima). Na nota, o grupo explicava o motivo de ter ocupado quase vinte casas do conjunto do Ipase na avenida Ville Roy. Meu avó, seu Edgar Borges Ferreira, estava no meio. Ele e minha avó, dona Maria José Torreias, viveram nessa casa por uns 40 anos. O jornal fez ampla cobertura do caso antes, durante e depois.

Voltando:

- Meu desfocamento me fez perder uma ou duas reuniões de orientação com a professora Leila.

- Li um livro lindo do Bauman chamado Identidade. Recomendo muito a quem pretende conhecer um pouco do pensamento deste pensador.







- Não voltei à academia e quase não pratiquei exercício este mês. 

- Acabou o evento literário das quartas-feiras:



Não lembro mais o que aconteceu... Que venha julho de 2018 agora. Junho foi.



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sexta-feira, junho 22, 2018

#03 Mostrando as coleções: Batman Rabbit Hole e Alex Ross actions figures

 Continuamos mostrando as coleções aqui da casa.

Desta vez Edgarzinho e eu falamos sobre dois bonecos do Batman que chegaram entre maio e junho: um Batman Rabbit Hole, do jogo Arkhan City (no vídeo eu errei e falei Asilo Arkham) e um Batman inspirado nas HQs ilustradas por Alex Ross.






Se tu é um leitor bacaninha, já aperta o like, comenta, chama os amigos para ver e divulga um pouco do colecionismo na Amazônia! E se não for bacaninha, seja bacanudo e faz tudo isso também!

Aqui neste link você tudo o que me lembro de ter falado sobre as coleções de bonecos e carrinhos aqui de casa. 

Lá no youtube tem outros vídeos também além de carrinhos e bonecos. Dá um visu e se inscreve no canal. 

terça-feira, junho 19, 2018

A literatura de Roraima em foco (e eu no meio dos focados)


O curso de especialização em Língua Portuguesa e Literatura da Universidade Estadual de Roraima realizou no dia 9 de junho o seu I Café com Letras. Eu não sabia disso até o momento em que uma colega do curso de mestrado em Letras da UFRR, que também está fazendo a especialização, me mandou uma foto de um slide com dados meus.





Era a apresentação de um trabalho sobre minha trajetória, feita por uma aluna da especialização que me entrevistou faz um tempão e eu já não lembrava mais. Fiquei lisonjeado, cheguei até a pensar que era uma manhã só para falar de minha pessoa, mas depois que publiquei a foto do slide no instagram e no status do Whastapp uma outra colega, que também está no curso, me mandou as imagens abaixo, explicando que era uma manhã inteira de apresentações sobre autores de Roraima.




Foi muita pesquisa mostrada nessa manhã. Sobre 16 autores, para ser mais exato, atendendo ao tema do café: Literatura de Roraima em Foco. 



A aluna que me entrevistou se chama Simone de Castro. Nos encontramos no Guaraná do Marivaldo numa tarde pós-chuva violentíssima, eu já de olho no relógio para ir pegar o Edgar na escola, ela chegando alguns minutos atrasada. Fez perguntas interessantíssimas, bem elaboradas, demonstrou que havia pesquisado muito sobre mim e até me falou de coisas que eu não lembrava mais ter dito/feito/publicado. Muito competente. Se não fosse o horário apertado teria falado mais com ela. Lamentei.


Uma das minhas amigas me disse depois que os autores não foram chamados porque houve relatos de um evento para o qual haviam convidado um escritor que estava sendo analisado, o aluno apresentou suas conclusões, o literato não curtiu e praticamente desmontou todo o trabalho acadêmico na frente da turma, pegando bem pesado. Então, para evitar encrenca, esta turma da UERR decidiu ficar só entre eles.




Pena. Gostaria de ter visto. Como disse para minha amiga, dou risada vendo como os alunos enxergam e detectam coisas que eu mesmo nunca pensei ter pensado.