segunda-feira, setembro 16, 2019

Diário de um mestrando - 19° mês

06.08.19 Terça

Tá frio, bem frio, muito frio. Tá tão frio que estou de camiseta de manga comprida, meu filho está de calça comprida e minha esposa além de tudo isso colocou meia nos pés. O termômetro diz que agora estamos a apenas 24 graus, mas acho que é bem menos. Paredes molhadas, vento... O inverno está lindo. Se não fossem as goteiras na casa, estaria bem mais feliz. 


Sobre a dissertação: estou avançando lentamente. Hoje não consegui, semana passada também não. Apareceram coisas urgentes durante os dias e de noite já estava muito cansado para pensar academicamente. Pelo menos fechei a leitura que queria do Canclini. 




22.08.19 Quinta


Teve reunião administrativa com os novos alunos do Programa de Pós-graduação em Letras, o PPGL. Como representante da turma 2018, fui chamado para o encontro. Lá, me deram a palavra e falei umas dicas para a galerinha. Foi assim, de acordo com as anotações que fiz no celular: 


Edgar Borges
Pesquiso identidade e música, analisando o rap de Roraima.

Dicas, sem ordem de prioridade:

1. Colem nos orientadores. Não deixem ficar mais de um mês sem se encontrarem. Isso te mantém focado e produtivo.

3. Produtivo: A obrigação de vocês é produzir e publicar pelo menos um artigo no mestrado. Mais do que isso é bom para quem pensa no doutorado e no curso. Faça mais se possível.

5. Não atrasem sua defesa. 24 meses dá tranquilo. O pior é só o primeiro ano. O segundo, se trabalharam bem no primeiro, é moleza.

6. Trabalho: façam um grupo de e-mails e/ou de whastapp/ telegram para vocês. Sejam todos administradores e compartilhem notícias sobre o curso, professores, eventos, tirem suas dúvidas, fortaleçam-se.

7. Colem em todos Os eventos, ajudem a produzir eventos, publiquem, defendam o mestrado de vocês dos ataques do governo Bolsonaro.

Professores na reunião

E foi isso. Bem direto e pragmático.

29.08.19 e dias anteriores

As anotações do mês estão muito bagunçadas. Vou tentar articular o que rolou ou está rolando em agosto


Reunião com orientadora: teve. Tenho que fazer uns ajustes e passar o material para o sujeito de pesquisa, de acordo com o definido na metodologia do trabalho.


Ah, finalmente fizemos a nossa primeira foto de aluno e professora, mas fizemos já pensando na palhaçada. Chegando em casa fiz essa artezinha num app do celular para descontrair:










Busca de referenciais para corrigir o artigo selecionado para o ebook: em andamento, lento, mas andando.


Semana enrolada, muito enrolada.


Chegada intensa do calor. Dias de clima ameno de montanha...montanha vulcânica.




Ando fazendo a leitura de uma tese para ver o que acrescento ao trabalho. É de uma das integrantes da banca e fala sobre rap no Rio Grande do Sul.


Teve neblina. Mesmo com o calor já instalado, amanheceu nublado mais uma vez.



quinta-feira, setembro 12, 2019

Lendo dois poemas do escritor Francisco Alves

Tempos sombrios também são tempos de escrever, falar, ouvir e espalhar poesia, de fazer a literatura correr por aí. 

Por isso, decidi no começo do mês: a cada duas ou três semanas vou publicar um vídeo com leituras de trechos de obras produzida por autores de Roraima. 

Inicialmente vou ler as obras que já tenho na biblioteca. Talvez depois peça para os próprios autores lerem para nós. A primeira edição desta minha iniciativa é com dois poemas do escritor Francisco Alves e o livro se chama Ruídos Noturnos ou Poemas do esquecimento vivo, de 2017. 

 Para saber mais sobre a vida do Francisco, deixo-lhes aí os links para as suas redes sociais no Facebook e no Instagram: https://www.facebook.com/aluadoalves e https://www.instagram.com/chescoo/

Boa poesia para todos e todas:

 

quarta-feira, setembro 04, 2019

(Quase) Todos os livros de autores de Roraima que temos em casa


Voltei a gravar vídeos para o meu canal no Youtube. 

Meu sonho é um dia receber aquele aviso de que tem um cheque me esperando por conta de tanta visualização e seguidor. 

Enquanto isso não chega, me botei uma meta aqui: um vídeo por semana, dividido entre colecionismo, literatura e o que vier. 

Sim, o lance de ter foco não faz parte de minha vida criativa. Vide a diversidade de coisas que já publiquei aqui no blog. Foco é só para os estudos e para as fotos. Para as demais coisas, quanto mais caótico, mais divertido. 

Bueno, vamos lá: mostramos hoje a coleção de livros que temos aqui em casa e foram produzidos por escritores que vivem ou já viveram em Roraima. 

Tem coisa minha e de minha mulher, a poeta Zanny Adairalba. É um vídeo longo, mas que dá um panorama do que vem sendo feito no Estado nas últimas décadas. 

Se você tiver um livro de autores de/em Roraima que não apareceu no vídeo e quiser me presentear, é só mandar mensagem que a gente se encontra. Para receber presente sou rápido. Para dormir também. Não falemos de trabalho pois isso não vem ao caso. 




terça-feira, agosto 06, 2019

Diário de um mestrando - 18° mês

10.07.19 quarta-feira

Fui hoje à noite na maloquinha da Instituto Insikiran da UFRR para o lançamento do livro "O sopro da vida", do escritor indígena roraimense Kamuu Dan Wapichana, morador de Brasília desde os anos 90.

Antes da sessão de autógrafos teve uma mesa redonda sobre literatura indígena com o Kamuu Dan e os professores/pesquisadores/escritores Celino Raposo e Devair Fiorotti (inclusive para vocês eu recomendo entrar no site deste fantástico projeto dele sobre literatura indígena. Tem livros e dissertações: https://pantonpia.com.br/)

Alguém me fotografou e mandou a foto esperando o autógrafo do Kamuu Dan, mas não sei até agora quem foi.



Ô a coluna curvada bem de leve, do jeito que meu avô Borges era na velhice





Hoje teve a qualificação de mais um colega, o Fernando Yekuana. Não fui, mas fiquei na torcida.








Não foi hoje, mas finalmente montamos na parede da sala as prateleiras da estante. Por enquanto só couberam os meus livros (e isso porque separei um monte de obras para doação e venda. Só ficaram os que fazem ainda algum sentido para mim).



O espaço: antes era um corredor, ficou sem parede na reforma e sempre me provocava com a  possibilidade de utilizá-lo como estante. O quadro dessa negona linda de costas é da artista visual roraimense Georgina Ariane Sarmento


Poquito a poquito, para montar los librito, abriendo los huequito para montar mi "armarito" (portunhol forçado e mal dito para dar métrica




Ainda falta uma prateleira. Não consegui furar a parede lá encima

11.07.19 quinta-feira


UFRR novamente. Reunião de orientação com a professora Leila (mais uma vez pensei, mas não tirei foto com ela para registrar aqui). Definimos o prazo de defesa e coisas a fazer para acelerar o processo, entre elas o envio do material para o MC Frank D'Cristo olhar.


Aparentemente estou com uma leve folga na corrida rumo à defesa. Por conta disso depois de agosto a ideia é focar em produzir artigos para as revistas da vida.





13.07.19 sábado

Amanheceu nublado na baixada do Paraviana. Relatos vindos de outros moradores da cidade apontam que a neblina estava espalhada pela cidade. Uma das coisas boas de acordar bem cedo, mesmo não precisando, e poder ver esse tipo de maravilha e coisa rara de acontecer na nossa quente cidade: 


Dia de quase Londres


Essa moto nunca mais foi vista depois que entrou na neblina


O último nevoeiro que baixou por aqui tem uns quatro anos de acontecido, conforme havia visto recentemente nas lembranças do facebook


19.07.19 sexta-feira

Semana complicada. Andei um pouco desconcentrado, ocupado e dolorido e perdi algumas manhãs de trabalho. Explico:


a) problemas e projetos me deixaram devaneando demais e aí quando focava mesmo já era hora de ir colaborar com a fazedura do almoço. De tarde sempre é para resolver outras coisas.


b) Entre as coisas que me deixaram ocupado esteve a capinação da parte da frente do terreno da casa. O mato já estava me incomodando e não tenho grana para pagar alguém. Então fui eu mesmo capinar, primeiro na parte interna (de boas, apesar de lento. Deve ser a idade pegando pesado comigo já), depois na parte da frente. Aqui teve uma hora que quase desmaio de tanto cansaço, calor e suor. No final, consegui.


c) Essa capinada da frente foi no começo da semana. Fiquei até sexta sentido dores nos braços como não sentia desde que descobri minhas hérnias cervicais e comecei a fazer pilates (muitos meses entre uma coisa e outra, por sinal). Além disso, o pescoço travou como só trava o pescoço de uma pessoa sedentária que faz muitos movimentos repetitivos puxando enxada e ciscador.

Como não conseguia sentar para escrever, me dei folga e fui ler um livro para relaxar. Recentemente havia terminado "E Deus criou o homem", obra bem-humorada do mestre Afonso Rodrigues de Oliveira revisitando o Gênesis bíblico e localizando as ações aqui pelos lavrados de Roraima. Agora peguei "Feliz Ano Velho", de Marcelo Rubens Paiva. Estou gostando muito desse relato abordando como ele reagiu a uma das coisas que mais me apavora na vida: sofrer um acidente e ficar numa cama de hospital.



No meio de minha folga foi na UFRR pegar Bauman e Canclini para dar um plus (ou não dar e deixar sem) na dissertação.

Meu celular, que estava descarregando em velocidade quântica e se recusava a ter a bateria carregada, pifou. Fui obrigado a mexer nas previsões de gastos para comprar outro.

Hoje também fiz uma parada bem legal: a convite da poeta Elimacuxi, fui acompanhá-la numa intervenção poética no abrigo para venezuelanos Santa Tereza, na avenida São Sebastião, lá do outro lado da cidade. Ela me chamou na segunda de noite e topei de cara apresentar alguns poemas. Decidi levar alguns textos meus que fiz em portunhol. Para fechar o combo, ensaiei recitar/cantar uma música que sempre fico assoviando: Pedro Navaja, de Ruben Blades. É uma salsa quase falada, então me pareceu fácil. O resultado está no vídeo deste link. Aplaudam. 






Ah, além de eu e a Eli, também foram os poetas Vitor de Araújo e Zanny Adairalba.


Zanny Adairalba, Edgar Borges, Elimacuxi e Vitor de Araújo

segunda-feira, julho 29, 2019

Cantando “por la esquina del viejo barrio lo vi pasar...” no abrigo dos migrantes



 Antes que acabe o mês, uma lembrança: dia 19 de julho fui com a turma de poetas Elimacuxi, Zanny Adairalba e Vitor de Araújo fazer uma intervenção poética no abrigo para venezuelanos migrantes que fica na avenida São Sebastião, bairro Santa Tereza.

Zanny Adairalba, Edgar Borges, Elimacuxi e Vitor de Araújo: poesia no abrigo
Eu, quem me lê e quem me conhece sabe disso, sou mais de colocar as pessoas para falarem poesia do que propriamente ser o falador. Me dá preguiça e desencanto ensaiar a performance. Mesmo assim, quando a Eli me passou mensagem convidando para a intervenção, não tive dúvidas e topei na hora.



Para minha parte, separei uns poemas que havia escrito em portunhol, mexi um pouco para melhorar a sonoridade deles e também falei para a Eli que ia cantar/recitar uma música.

Dito e feito, me arrisquei e meio que cantei pela primeira vez na vida. Bem, na verdade, falei e tentei cantar. Mas não há fraude nisso porque já fui avisando o povo do abrigo sobre não ser cantor.

Escolhi Pedro Navaja, de Ruben Blades, uma música que ouço desde a infância e sempre cantarolo. É meio falada, então achei que não passaria tanta vergonha. Eu acho que não foi. Mas cada um julga conforme seu interesse.




Vou lhes dizer: foi gostoso demais ver o povo cantando a música. Deu uma energizada boa. Tô até pensando em pegar outra música e agregá-la ao meu repertório.

sexta-feira, julho 26, 2019

Dia do Escritor 2019: gravei um vídeo para o Sesc Roraima sobre isso


O Sesc Roraima me convidou para gravar um vídeo alusivo ao Dia do Escritor, comemorado todo 25 de julho. Gravamos na nova biblioteca da nova sede administrativa, ali no Centro de Boa Vista, na rua Araújo Filho. O vídeo é esse aí de baixo, recompartilhado no meu canal do Youtube. 





Teve também fotinha bonitinha no instagram.


Bacana foi receber esse carinho do Gabriel Alencar, da nova geração de proseadores de Roraima, que republicou a postagem em seu perfil no instagram:




Sim, algumas notas sobre a nova biblioteca do Sesc Roraima:

Nunca havia entrado no local. É uma biblioteca bem espaçosa, com cinco ou seis vezes mais espaço do que tinha nos tempos do prédio original. Essa biblioteca – a do prédio original, demolido nos anos 2010 para construção do atual, bem mais moderno – bem, essa biblioteca era praticamente a minha segunda casa na adolescência.

Lembro de pegar quase toda manhã minha bicicleta e ir do bairro Caçari até o Sesc para ler jornal, participar de cursos, fazer pesquisas, pegar livros emprestados. Vivia tanto no Sesc que as pessoas achavam que eu trabalhava lá. Na verdade, um dia desses alguém ainda veio me perguntar em que setor eu trabalhava no Sesc naquela época. Confesso que sonhei várias vezes com trabalhar no setor de cultural deles e ajudar a desenvolver as ações na cidade. 

Infelizmente, o máximo que consegui naquele tempo foi ser monitor de feiras de livros e de trânsito. 

Me corrijo: felizmente tive essas oportunidades. Era essa grana a que eu guardava para comprar apostilhas e bancar um lanchinho quando já estava na UFRR, cursando jornalismo. Felizmente também me deram a oportunidade de conviver e conhecer pessoas fantásticas, como minha comadre Érica Figueredo e os contadores de histórias Moacir do Monte e Tana Halu, além de outros artistas da cidade.

(O tempo passou e fui ser oficineiro, escritor convidado para as feiras de livrosjurado da mostra Canta Roraima, palestrante, parceiro de fazeres culturais em Boa Vista e outros municípios,  convidado com o meu grupo ( o Coletivo Caimbé) a representar a literatura de Roraima no Sesc Amazônia das Artes...A vida foi boa comigo nesse aspecto na minha relação com o Sesc)

Ia tanto na biblioteca do Sesc Centro que já sabia até que também ia. Com alguns trocava ideias, a exemplo do Francisco, que depois de ter sido deportado da Europa, veio rodando o Brasil até parar em Roraima e também ser monitor numa feira de livros (por ele ter trabalhado fantasiado de lobo, o chamava de Chico Lobo).

Foi na biblioteca do Sesc que li minha primeira HQ do Milo Minara, rei do erotismo. Li um monte de autores (não sei como e quem me deu a carteirinha de usuário se não era comerciário e não me lembro de nunca pagar para renovar – mas é capaz de ter feito isso sim, afinal, era lá que pegava todo livro de literatura que me interessava). De todos esses autores, decorei uma frase da Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, livro que naquela época há havia virado filme:

“Se fosse dada ao homem a oportunidade de matar à distância e sem ser punido, a humanidade não sobreviveria cinco minutos”.

Na verdade, não lembro mais se a frase é exatamente igual, só que gostei muito à época e a anotei em um caderno.

Parei de ir tanto na biblioteca depois que comecei a trabalhar no jornal O Diário, em 1998,  e tive meus dias ocupados pela rotina de quem não é dono dos meios de produção. Ou seja, trabalha de manhã e de tarde e ainda de tarde  (sim, de tarde) e de noite vai estudar para ter um diploma que permita continuar trabalhando de manhã e de tarde. Quando fui para a comunicação social da Prefeitura de Boa Vista, em 1999 ou 2000, não recordo agora, abandonei de vez espaço durante o dia e só aparecia quando tinha evento, tipo Café Com Letras ou Overdoze. 

Não lembro quando, mas sei que antes de 2007 (conforme vi numa citação aqui nesta postagem falando de um evento do próprio Sesc)  a biblioteca do Sesc Centro recebeu o nome do escritor Afonso Rodrigues de Oliveira, uma linda homenagem em vida ao cronista e romancista que a gente chama carinhosamente de Mestre Afonso (recentemente li uma obra dele, por sinal). 

Falei disso para o povo que agora trabalha lá e dei a dica: valeria a pena colocar uma plaquinha com esse nome na porta do espaço.

Tenho outras memórias na biblioteca, mas agora não quero falar delas. Daria um livro.

sábado, julho 06, 2019

Diário de um mestrando - 17° mês

03.06.19 Segunda

Teve reunião do colegiado do PPGL nesta manhã. Tava marcado para 8h30, mas o povo começou a chegar bem depois. Os corredores do bloco 1 estavam, como sempre, tomados por mosquitos malignos sugadores até das nossas almas se vacilar. Além de muitos, são agressivos. Agora são 16h06, está chovendo, faço aniversário amanhã, já inseri na dissertação a etnografia do show R3 que rolou sábado. Falta acrescentar, pelas minhas metas diárias, umas infos lá na parte que fala sobre as característica do Rap.

15.06.19 Sábado


9h38. Está chovendo. Tem umas goteiras na varanda de trás e vez ou outra pinga alguma gota no forro acima de minha cabeça no escritório. Tenho um medo de que aconteça um vazamento e inunde o cômodo...


O que rolou neste mês, além do meu aniversário no dia 4:


- Mandei meu material para a professora Leila analisar. Ela me devolveu e cá estou desde o começo da semana trabalhando na análise da quarta letra do MC Frank D'Cristo.


- Tenho sentido dores nas costas. Culpa da cadeira.


- Neste mês não teve reunião presencial com a orientadora. Isso não afetou nada por enquanto. Nesta análise em andamento estou puxando um pouco mais para o uso dos socioletos/idioletos na letra (depois vou definir que conceito uso)


- Tenho um prazo pessoal para mandar a nova parte até dia 21. Acho que vai dar tranquilo. Daí vou trabalhar na complementação do meu "censo" da turma rapper em Roraima.


Mais tarde vai rolar a primeira edição do Sarau da Lona Poética em 2019. Passei esta semana trabalhando nisso. Eu gosto, mas me incomoda gostar de algo que me dá trabalho. Alguém podia organizar tudo e me chamar só para levar os louros e dar uma de MS, vulgo mestre de saraus. Sonho meu...



30.06.19 domingo




O Sarau da Lona Poética aconteceu e foi bacana, com aquela força crescente de toda edição e muitas poesias bonitas e fortes sendo declamadas. Esse meu trabalho com o Coletivo Caimbé é internamente paradoxal: adoro promover esse momentos geradores de felicidade e satisfação e ao mesmo tempo acho que poderia estar tentando algo mais capitalisticamente produtivo, gerando grana para a casa. Sim, poderia buscar apoio financeiro em empresas ou poder público, mas...Gente, que preguiça desse povo, de bater nas portas e ver todo mundo de cara fechada, de ter que pedir, pedir, pedir...Até tentei dia desses com um vereador conhecido, mas não rolou. Enfim...em agosto vamos fazer outro. Se quiser ver como foi o de julho, vai aqui, no blog do coletivo. 

Foi um mês lentamente produtivo. Tinha uma página de metas e quase todas foram cumpridas, como apontam os rabiscos rabiscando as anotações rabiscadas:





Disse lentamente porque não corri contra o tempo. Deixei fluir o ritmo de trabalho. Mandei meu material para a professora analisar, avancei na pesquisa sobre quem integra a cena do Rap local, conversando com a galera e acrescentando nomes à lista.


Lentamente é ruim, diriam alguns com espírito de coach.


Prefiro lembrar de uma vez em que o carro deu problemas vindo lá do interior da Venezuela e não conseguia acelerar sem que o mesmo aquecesse. Estávamos no meio da selva, literalmente, com um carro passando a cada 40 ou 50 minutos pela estrada. Decidi fazer o que toda pessoa sensata faria: sabendo que ainda faltavam uns 600 km para chegar em casa, fui na maciota, em velocidade tartaruga, sem aquecimento. Nasceu daí meu slogan preferido para momentos em que a pressa pode ser inimiga da conclusão: despacito, pero seguro.


Vem, julho, vem!


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Obrigado pela leitura da 17a edição do Diário de um Mestrando.
Para ler as anteriores, basta clicar AQUI. Abraços.

sábado, junho 08, 2019

Sobre contos meus sendo lidos nos Estados Unidos

O poeta e tradutor Vitor de Araújo passou um tempo nos Estados Unidos recentemente. Selecionado para receber a bolsa Fulbright Brasil, lecionou português para os gringos na Universidade do Arkansas. 

Para isso, fez várias atividades. Uma delas foi o Sarau do Português, no qual alunos leram obras no nosso idioma. Uma dessas obras foi o meu livro, Sem Grandes Delongas. Em fevereiro, Vitor me passou um dos vídeos gravados no sarau. 

Por preguiça na época, postei o vídeo somente nas minhas redes sociais. 

Esta semana, lendo uma matéria no portal do Senac Roraima, percebi que devia colocar aqui também. Assim sendo, convido todo mundo para ver a gringuinha lendo um conto meu:





 Ah, sim. A matéria a que me referi foi esta: Esquina Americana divulga editais para profissionais e acadêmicos estudarem nos EUA



Nesse trecho acima printado, o Vitor conta sua experiência e cita a minha participação, enquanto autor, no sarau:

 “Valeu a pena” 
Vitor de Araújo foi um dos participantes da última edição do FLTA e esteve no Senac Idiomas na última terça (28) compartilhando sua experiência. O jovem recebeu seguro-saúde, moradia, bolsa (“em um valor muito bom para se viver com conforto”), passagens de ida e volta e o visto. Lá, ele trabalhou na Universidade do Arkansas, onde estudou cultura e história americanas e ensinou português para duas turmas.

Além disso, ele participou de eventos externos; ajudou a alimentar as redes sociais do programa e a organizar eventos de integração: saraus literários (nos quais os alunos americanos leram poemas e minicontos de Gonçalves Dias a Edgar Borges, escritor roraimense), piqueniques, apresentações de música brasileira.

“Foi bem legal”, exclamou sempre que contou uma história ou mostrou um vídeo de algum trabalho realizado em sala de aula. O grupo de bolsistas depois criou um perfil no Instagram onde dá dicas e conta sua experiência para quem também quiser participar das próximas edições. O nome do perfil, pocando nos States, é inspirado em uma gíria do Estado do Espírito Santo (de onde vieram duas bolsistas) e significa "sendo feliz" e "arrasando".

sexta-feira, maio 31, 2019

Diário de um mestrando - 16° mês

04.05.19 sábado

Por não ter conseguido fazer antes o que deveria ter pesquisado e escrito, cá estou às 9h09 sentado na frente do computador. Não queria estar aqui. Talvez pedalando fosse uma boa situação, mas está nublado e tenho preguiça de pedalar em dias assim.

Estou cansado mentalmente falando. Tudo se repete e a rotina angustia. Se não fosse a delicada cobrança da professora, marcando prazos, prorrogando as metas quando necessário, talvez eu largasse mão por algumas semanas disto aqui.

E então atrasaria tudo.

Bonito para mim, que não conseguiria avançar.

Estou cansado. Tão cansado que ainda não publiquei a edição do Diário de um Mestrando do mês passado.

Vou tentar fazer hoje. Antes, vamos ler mais um pouco do Giddens.

10.05.19 sexta

Trabalhei feito bicho esta semana.




Hoje tem encontro de orientação com a professora Leila. Consegui adiantar muita coisa teórica neste mês, mas acho que posso acrescentar ainda mais.

Ontem organizei livros e apóstilas por temáticas e fiz montinhos com o material. Semana que vou subir monte a monte cada um deles e extrair o que for interessante para reforçar o embasamento do trabalho.

Está bem frio. As paredes da casa já não quentes. O céu está nublado e até desligando os ventiladores estamos. Nada que ver com o mês passado, quando às 9h estava tudo fervendo já.

16.05.19 quinta-feira

A professora elogiou os avanços na redação. Contei-lhe meus sofrimentos, ela riu e deu seu apoio, orientou, passou novas coisas a serem feitas e marcamos para mês que vem um novo encontro. Botei essas coisas em uma página para ir riscando o que for concluindo. Até agora risquei apenas uma linha e meia.

Ontem teve protestos em todo o Brasil contra os cortes no orçamento da Educação feitos pelo governo Bolsonaro. Boa Vista também fez o seu, com a turma saindo da UFRR (somente ela vai perder 22 milhões) em direção ao Centro Cívico. Eu divulguei muito nas minhas redes sociais, mas não pude ir. Justamente ontem meu pedreiro reapareceu para terminar um serviço na varanda e na cozinha. Como não podia sair, aproveitei para tirar entulhos do quintal. Resultado: não fiz uma linha de estudo ontem. Possivelmente será o mesmo hoje, pois o trabalho continua.




O dia amanheceu com o céu aberto e entre 8h e 8h20 ficou lindo para dormir, assustador para quem vai fazer obra com cimento. 9h23 estava aberto de novo.



27.05.19 segunda




Recomeça a jornada. Café na xícara grande eu gosto, anotações aqui e lá no outro caderno e também no computador. Sono, acordei ainda escuro estava. Lento, muy lento. Vamos, devagar. Sempre. Até os jabutis correm quando ninguém os vê. Passarinhos já estão na varanda, ainda temos frio na manhã, todos dormem na casa, o vento conversa comigo e a penumbra diz obscenidades que me atiçam.

31.05.19 sexta

Hoje até quis dormir até tarde, mas faltou mais uma vez energia elétrica (esta semana foi uma rotina incômoda isso) e lá pelas 5h40 me levantei suado e fui fazer café. Depois naveguei em todas as redes, pedalei 10 km (sim, sou quase um atleta e pela primeira vez em muito tempo estou abaixo dos 78 kg - mensagens de "ai, que delícia" vão ganhar emojis de coração), varri a varanda, lavei louça e cá estou, banhado e cheiroso para fechar o 16° desta jornada rumo ao mestrado...

Ontem teve protestos para lembrar ao governo Bolsonaro que a educação deve ser prioridade. Divulguei nas redes sociais e obviamente apareceu gente nelas querendo fazer pouco caso, usando os argumentos das milícias digitais (segurei minhas vontades de mandar todos eles comer cocô).


Lá pelas 17h apareci no Centro Cívico para fortalecer o movimento. Foi bonito, foi intenso. Muito bom ver a molecada consciente da importância do ensino público para o desenvolvimento da sociedade.







A turma Yanomami participou também das manifestações

A semana foi de muita leitura: vários artigos, duas teses, um livro e, para relaxar, mais leitura, só que de HQs em scan (boas porque dá para ampliar as imagens e superar assim minha cegueira) e uma impressa sobre hip hop, que comprei mês passado numa campanha de financiamento colaborativo da editora Draco. Ah, e um livro muito engraçado do mestre Afonso Rodrigues de Oliveira, ambientando o Gênese bíblico nos lavrados de Roraima.










Poderia apenas escrever agora que vou tentar passar para o arquivo da dissertação o que entendi de todas as leituras acadêmicas da semana, mas prefiro citar três outras histórias que têm a ver com a jornada mestranda. Vamos lá. Só que antes, vejam a quantas andava o texto no dia 24 de maio:






Lógico que nesses números temos incluídos os anexos, apêndices, bibliografias e outras coisas. Mesmo assim, me parece robusta a parada.












Bueno, vamos lá agora sim valendo dos vera:


22.05.19 - Fui acompanhar a defesa da dissertação do colega Antonio Lisboa, que por sinal mora a duas casas da minha, aqui na distante Muralha, vulgo final do Paraviana. Nas imagens abaixo vemos o agora mestre com louvor no início dos trabalhos - estava sendo apresentado pela professora orientadora Deborah Freitas - e, embelezando a plateia, Alessandra Cruz, Eduany Siqueira e eu, seus colegas de curso.





Na noite de 24.05 foi realizado o lançamento de dois livros no Colégio de Aplicação. As obras trazem artigos de professores e alunos da UFRR e outras instituições abordando a a formação de professores e o ensino de artes. Já li o que me interessava e peguei material do verdinho.








Bueno, agora sim. Tchau, que venha junho, que eu tenha agilidade mental para acrescentar bem o que deve ser acrescentado e vamos que vamos.

Já que chegou até aqui, clique para ler todas as edições do Diário de um mestrando.