quarta-feira, julho 25, 2018

Todos tão iguais - um poema sobre migração (texto e vídeo)

Olha só que legal este acontecimento de julho: os alunos da oficina de teatro da Escola do Sesc Roraima interpretaram um poema de minha autoria. 

A dramatização de "Todos tão iguais - um poema sobre migração" fez parte da programação turística do Fórum de Presidentes de Federações do Comércio, que reuniu mais 100 representantes das entidades (Fecomércio-Sesc-Senac-IFPD) de 16 estados do País. 

A direção da interpretação ficou a cargo de Karen Barroso, instrutora da oficina.

Abaixo, você pode conferir a performance dos alunos. Na sequência o poema. 



Todos tão iguais - um poema sobre migração

Eu já fui lá de fora

Ele já foi de lá fora
E não duvide: você também já foi bem lá de fora

Minha família veio de longe

A família dele veio de por aí
E se você pensar um pouco
Sua família também não é daqui

Quem é só do lavrado 

Se somos de todos os cantos
Temos vários sotaques, várias cores 
Amamos vários sabores?

Em um estado como Roraima

Formado na base da migração
Não gostar do migrante é bobagem
É ódio sem lógica e nem razão

Pense apenas um pouquinho 

Nisto que vou lhe falar:
E se fosse você por aí
Tentando a vida recomeçar?

Como gostaria que fosse

O tratamento por você recebido
Xingamento, pedrada, brutalidade
Ou mãos estendidas em sinal de amizade?

Reflita sobre o que lhe falamos

Pensem no que dizemos antes
Moramos no meio do mundo
Somos de todos os cantos
Somos todos migrantes

Eu já fui lá de fora

Ele já foi de lá fora
E não duvide: você também já foi bem lá de fora.


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P.S.: Caso você não tenha visto minha fala sobre a influência da migração na literatura roraimense, dá um click aqui e vê como foi o encerramento do II Sesc Literatura em Cena, realizado em junho pelo Sesc Roraima.  

quinta-feira, julho 05, 2018

Diário de um mestrando em Letras - quarto mês

12.06.18

23h33

Sim, eu deveria estar namorando minha mulher a esta hora, curtido o dia dos namorados, mas estava fazendo as correções no texto que está sendo preparado para a qualificação. A gente vai escolhendo as prioridades de vida e brincando cada vez mais de ser responsável.

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Amanhã vou pegar o protótipo de artigo que fiz para a disciplina de Linguagem e Identidade. A profxs já apontou uma falha que percebi hoje pela manhã: não usei os autores da disciplina na análise do material, só na fundamentação teórica.

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Ando aproveitando um pouco da folga da liberação para resolver problemas particulares que estavam parados havia muito tempo e, não sei o motivo, não haviam se solucionado sozinhos. Acho isso um absurdo...

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Amanhã-daqui a pouco tem mais um encontro lá do evento semanal com a turma da literatura em Roraima.
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Falando em literatura em Roraima, semana passada participei do Sesc Literatura em Cena 2018. Muito legal coordenar os bate papos dos Diálogos Literários, uma espécie de talk show que havia bolado para a Feira de Livros de Sesc em 2010, acho. Me senti bem sendo o mediador-entrevistador da turma. Superei uma barreira que tenho, que é a de fazer perguntas focadas. Também fiz parte de uma mesa que discutiu literatura e migração. Coloquei tudo o que falei nesta postagem.

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O ruim é que agora tenho que correr atrás de leituras, correções e outros tempos perdidos.

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Hora de ver uma série curta para relaxar e dormir.


13.06.18 Quarta
11h32

A manhã foi-se voando entre ter ido dormir à 1h30 da madrugada, acordar às 6h20, participar do evento da literatura na UFRR e editar um release para a Zanny divulgar um prêmio que recebeu em Cuba.

Esse aí acima é o cartaz de divulgação do evento da literatura.

A Hêndria emocionou todo mundo (na verdade fez chorar todo mundo) contando como o pai é o principal fã dela e sempre comprava os jornais em que eu publicava os poemas dela na época que mantinha a coluna Rede Literária. Também lembrou das vezes em que participou do Sarau da Lona Poética e de como dava força para ela cantar e declamar. Bem legal fazer parte da vida artística das pessoas.


14.06.18 Quinta
Nada como reescrever tudo o que você achava que tava redondinho para te deixar em pânico pré-apresentação por conta do curto tempo para aperfeiçoar tudo.

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Tô cheio das pendências, por sinal:
1. Texto da quali precisa de revisão e acréscimos. Já faltei esta semana.
2. Texto da professora Débora vou reescrever todo ele pq não quero correr riscos...E tava tão bonitinho...
3. Vou ter que bolar um roteiro para fazer um vídeo da disciplina de memória. E filmar. E editar. E gostar... Isso tudo tem mais tempo pelo menos.

Acho que só. Preciso separar bem os tempos para não me atrapalhar. E preciso voltar à academia também.

30.06.18 Sábado
Na verdade não estou escrevendo isto no final do mês. Estou mentindo para o diário, para o leitor, para mim. Estamos em julho já. Esqueci, adoeci, cansei...muitas justificativas para quase ter largado esta minha ideia de registrar a caminhada do mestrado....

Imaginem vocês, raros leitores, que estamos de verdade no último dia de julho e cá estou tentando relembrar o que aconteceu entre esta data e o dia 14, a última vez em que havia aberto o arquivo. Vamos ver:

- Julho foi complicado. Teve a feira do Sesc que me puxou para alguns dias de trabalho focado e depois teve um virose/reação alérgica violenta que me jogou na cama por vários dias, com fotofobia, febre, dor de cabeça, sono infinito, fraqueza e a quase certeza de que agora sim iria morrer. Tudo isso tirou meu ritmo de estudos, de concentração. É muito fácil para mim perder o foco. Difícil é retomá-lo.


- Apresentei o trabalho da disciplina Débora e agora em julho vou apenas melhorá-lo.






Parte de minha turma, durante outra apresentação em outro dia


- Ainda estamos tendo aulas com o professor Maurício. Ele voltou agora em junho e já faltei duas aulas: uma por estar no Sesc e a outra por estar doente. Numa delas ia falar sobre minha análise semiótica duma matéria do jornal O Átomo, que circulou nos anos 1950 e que um projeto dele (Maurício) digitalizou. A matéria era na verdade uma nota à comunidade assinada por um grupo de servidores públicos do antigo Território Federal do Rio Branco (depois viria a ser de Roraima). Na nota, o grupo explicava o motivo de ter ocupado quase vinte casas do conjunto do Ipase na avenida Ville Roy. Meu avó, seu Edgar Borges Ferreira, estava no meio. Ele e minha avó, dona Maria José Torreias, viveram nessa casa por uns 40 anos. O jornal fez ampla cobertura do caso antes, durante e depois.

Voltando:

- Meu desfocamento me fez perder uma ou duas reuniões de orientação com a professora Leila.

- Li um livro lindo do Bauman chamado Identidade. Recomendo muito a quem pretende conhecer um pouco do pensamento deste pensador.







- Não voltei à academia e quase não pratiquei exercício este mês. 

- Acabou o evento literário das quartas-feiras:



Não lembro mais o que aconteceu... Que venha julho de 2018 agora. Junho foi.



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