terça-feira, fevereiro 17, 2026

Terça de trotinho carnavalesco

6h15 mais ou menos. Estou quase no primeiro quilômetro do trotinho desta terça carnavalesca. Vento frio e gostoso no rosto. O bar automatizado no bairro Caçari está cheio de jovens bebendo e conversando alto, naquela energia que essa idade ainda permite ter depois de passarem a noite acordados. 

Começam a falar comigo e a me imitar correndo, dizendo que vão me acompanhar. Sorrio, gesticulo para que me sigam e um deles grita: eu vou e do


jeito do senhor: sem camisa!

Sorrio novamente e vejo que o menino, realmente sem camiseta, vem atrás de mim e emparelha:

— Bora correr!

— Bora, mas de chinelo tu pode se machucar.

— Machuco nada!

— Então bora.

— Acho que não vou mais não. Tenho que ir ali beber, fumar e usar nóia.

— Vai lá. Boa sorte! — respondo, rio e sigo meu rumo, invejando a disposição desse povo para festejar. 

Lembrei de uns dois anos atrás, quando acordei bem cedo para um treino de 22 km e decidi que iria tomar água na casa de minha mãe, no Cinturão Verde. 

(11 km para ir, 11 km para voltar. Facinho, pensei. Saudades desse tempo) 

Quando estava na  Glaycon de Paiva, do lado do IFRR, uns 8 km percorridos, o sol bem longe de nascer, passou um carro com o som bem alto, o pessoal começou a buzinar, um dos rapazes botou a cabeça para fora e gritou:

— Para que correr tão cedoooooo?

Fui rindo e me questionando sobre isso o restante do percurso.

Voltando a esta terça, passei depois em frente a outro bar automatizado, desta vez no final da Ville Roy, e a turma não estava tão tranquila como no primeiro: tinha um camburão da CIPA parado e os policiais do lado de fora olhando para um rapaz gritando e sentado no chão, visivelmente transtornado. 

Quando fiz o retorno, o SAMU havia chegado e estava com o jovem pronto para ser levado ao hospital. 

Nesses casos não tem sorriso. Só pensamentos sobre os exageros noturnos.

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Um pódio nos 10 km da maratona de Boa Vista (OU: meu momento de glória chegou)

Sábado, 7 de fevereiro, acordei 3h30 para me arrumar e começar a correr às 5h52 o percurso de 10 km na Maratona Internacional de Boa Vista 2026. 

A meta era terminar no máximo em 55 minutos. Fiz melhor. 

Apertei o passo logo desde o começo, faltou ar desde o começo, vi gente passartranquila por mim, tive dor desviada, suei muito apesar do horário e do ventinho gostoso da manhã quando batia de frente, pensei na vida, em como dormir é melhor do que correr, caminhei alguns segundos para poder retomar, dei um tiro para ultrapassar quase na linha de chegada um novinho que havia me ultrapassado sem eu perceber e consegui fechar a prova em 52min47seg, conquistando meu primeiro pódio: o terceiro lugar na categoria dos cabeça branca, quer dizer nos véio de 50 a 59 anos.

Meu pace médio foi de 5'17 por km, segundo o resultado oficial. Para quem nos treinos corre a 7' para evitar pancada forte na pata quebrada, acho que foi ótimo. 

Fiquei muito contente com a chegada de meu momento de glória corredora. 

Meu primeiro troféu veio depois de quase conseguir um pódio em duas ocasiões na prova Tepequém UP, logo uma das mais difíceis do estado. 

Na primeira parei para caminhar uns 20 segundos na última ladeira antes da reta final, já a menos de um km da chegada, e perdi o terceiro lugar para um atleta que vinha tranquilo e sem parar. 

Na segunda vez não sei como ficou a distância, mas perdi para o Ricardo, que tinha acabado de completar 40 anos (ou ia completar nesse ano) e pegou a terceira posição. Lembro que falei para ele: poxa, tu tinha tanto tempo para ficar velho e foi escolher logo este? Rimos e ele foi receber, merecidamente, pois corre muito e há mais tempo do que eu, o seu troféu. 



Bem, é isso: em duas provas neste ano ganhei dois destaques. Na da Runnner Team fiquei no Top 100 da categoria 7 km e nesta peguei o pódio. Se não fosse a fascite plantar, até sonharia em novas premiações, mas vou melhor seguir despacito nos meus treinos para ao menos conseguir terminar de boas e pegar minhas medalhinhas de participação.