segunda-feira, março 21, 2005

Relatos de um final de semana de março


Sábado foi dia de São José para os católicos. Foi o fim do verão também. E das primeiras aulas de final de semana do semestre 2005.1 da universidade.
Diz a tradição que no dia de São José sempre chove. No meu bairro caíram somente algumas gotinhas. Mas o dia foi nublado, para compensar. Aliás, desde sexta-feira à tarde, deliciosas nuvens cinzas cobriam Boa Vista.
Voltando à tradição, antigamente os agricultores esperavam a chuva de São José para plantar o milho que colheriam para fazer as comidas das festas juninas. Coisas de um estado que já foi mais rural e preso a superstições religiosas.
Depois da aula de sábado, entrei numa livraria procurando um livro de teorias sociológicas. Checa se tem, quando chega mesmo, valeu, vou esperar a ligação que o preço pela internet é quase o mesmo, fiquei olhando o acervo. Daí vem a seguinte cena:

A vendedora:
- Oi, posso perguntar uma coisa? O senhor já trabalhou no Sesc alguma vez?
Eu:
- Já, faz muito tempo.
A vendedora:
- Ah, então é de lá que lhe conheço.
Eu:
- Mas faz muito tempo mesmo, coisa de anos. Como prestador de serviços em eventos.
A vendedora:
- Isso! Eu era criança e me lembro de você numa dessas mostras que o Sesc faz sobre trânsito.
Eu, achando-me o sujeito mais velho do mundo, forçando a memória e resgatando:
- Acho que era "Sinal verde para a vida". Fizemos no Objetivo e numa outra escola.
A vendedora:
- Não. Foi na minha escola. Eu estava quieta e você me olhou sorrindo e disse: "ei, estás muito séria. Sorri para mim,vai."
Eu, lembrando de quando a verba ganha nas mostras do Sesc me ajudava a bancar as apostilhas da universidade:
- Isso foi em 1997! Mas não me lembro de ter sido feita em outra escola.
A vendedora:
- É isso mesmo. Eu lembro de você.
Eu, pensando no que fazer:
- ...
A vendedora:
- Poxa, bom lhe ver.
Eu, pensando nos eventos Brincando nas Férias e Feira de Livros, quando atendíamos mais de 300 crianças por dia:
- ...

Quis, mas não perguntei o seu nome, o que havia feito de sua vida, se dirigia bem, se estava estudando, se a livraria pagava bem. Só fiquei pensando em como um sorriso e uma frase haviam ficado gravados na memória daquela jovem por sete anos. Deu até vontade de ser gentil com todas as pessoas e dizer bom dia todos os dias, como me recomendou uma amiga certa vez. Ainda bem que passou logo.

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