sábado, julho 23, 2011

Carta da derrota


Hoje sou, com muito orgulho, um perdedor.
Amanhã, quem sabe o que serei.
Nem sei se serei.
Desconheço se há algo bom a acontecer
Ignoro a quem pertence o futuro
E se, de fato, o futuro existirá.
Só acredito que hoje sou (aceitando-me, faço-me um bem) um perdedor.
Também sei que hoje, nada sabendo, nada dizendo, perdoado serei.
Acumulo um tanto assim de conhecimento...
As pessoas gostam de quem se finge de coitado uma vez por dia.
Faz bem agradar a todos com falsa humildade.

A coragem de ser perdedor vale um canto sussurrado
Bem no canto esquerdo do peito,
Arrepiando o vento e parando o tempo.
Exibo a cabeça baixa de quem desconhece o horizonte
Minhas ideias estão mais para minhocas que desistem
De cavar pela sua sobrevivência.
Minhocas...o chão é o limite dos perdedores
E se a queda for baixa, a dor é reduzida.
Para evitar dores, melhor voar baixo,
Arrastar-se na lama.
Olhar o pôr-do-sol provoca ilusões.
Desistentes deixam de lado suas ilusões.
O desistente é um forte.
Ele sabe que há consequências ruins pelos seus atos
E, forte, continua insistindo no fracasso.
Se o fracasso é relativo,
A noite pode ser absoluta e a meia-noite reativa.
Perdedores adoram a noite. Ela é boa para esconder-se
Em copos sujos de bebida e mesas de solidão.
A noite antecede os novos dias e suas infinitas possibilidades
Suas novas manchetes de guerra e paz, suas colunas sociais
Suas páginas de desenvolvimento econômico e pessoal.
A noite é o refúgio dos humilhados pelo amor.
A madrugada é o pior momento dos desesperados
Dos que esperam ansiosos por uma nova chance do destino.
Sou um perdedor. Sei bem do que estou falando.

Fotos minhas: Edgar Borges

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