quinta-feira, julho 21, 2011

A lida da palavra




A noite chegou com sua pouca glória
Agora apaga-se a vida
Recomeçam-se as realidades
É tempo de transcrever histórias
De perdurar as efemeridades.
As bancas esperam
Os leitores aguardam
Letras a letras
Com ânsia, com desejo
Gaúcho, nortista, sertanejo
Para enfim, conforme lhes convenha
Remontar o que se viu
Remarcar o que se viveu.
Letra a letra em cada seção
Policial, social, geral.
No parágrafo a mais, a menos,
Na ordem, a lida da palavra, o lide da notícia
Poderes, pavores, belezas, horrores
Há verdade sim. Há verdade?  Há...
Há também isenção, coerção, jabá
Dignidade, ética, compromisso
Veículos necessários
Veículos que desconhecem bom juízo.
Mais um momento chegou
E é tempo de refazer todas as formas
Concatenar idéias, realinhar dogmas
Mexer com a verdade, remexer com o engano
Lutar bravamente pelo furo do ano
Lutar comercialmente pelo anúncio do mês
Agoniadamente fazer a capa da vez.
O dead-line chegou
O prazo expirou
É hora da manchete, é a vez da gráfica
Diagramar, imprimir
Jogar as tintas, distribuir.
Encontrar os leitores
Agradar os anunciantes.
É um novo dia
A terminar como os de antes.


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