terça-feira, julho 26, 2011

Instalação 


 

A agonia é uma só! Ninguém veio
No dia que seria o mais estranho.
Ninguém deu atenção aos sinais
Aos pássaros estáticos no ar
Às pichações pedindo “Morte ou Poesia”
Reivindicando “Salvem os poetas albinos
Na quente América do Sul”.
Cinicamente, o que há por aqui é inocência.
Inocentemente, sobra nessa mesa muito cinismo.
A noite chegou; cuidado, pode ser a hora
Se os rivais vierem, salvam-se, talvez, as estrofes da canção.
Se as estrofes saltarem, tomara que
O pára-quedas não abra
E a mulher loira
- professora, disseram as palavras –
Fique só.
E venha
E leia
E ria
E ame como só as rainhas loucas o fazem
E que goze como ninguém nunca o fez.
A agonia é uma só, sozinha
Triste, sem campanha, uma exilada
Como página ímpar sem parceira
Rima presa na cadeia dos sentidos
Igualzinha à mulher loira que ri
E ama como (se fosse)
Da última vez.
Agora ensina
Agora comanda
Agora conta rituais de lua.
Que acontece? Que foi?
São novos tempos e velhos costumes.
Chove, é inverno, alguém derruba
Gelo na roupa e gargalha solitário com suas
Bebidas soltas na madrugada.
Esse alguém ri como se estivesse aqui.
Não é a mulher, lamentavelmente.
Apenas a curiosidade.
Nada? Nada!
Grilos, gritos, grifos e nada
Nem o desrespeito aparece
Nem a solidão dá as caras.
Só, casualmente, a mulher loira
- a professora, dizem –
Ensinando
Determinando
Enrijecendo
Matando o que só quer fugir.
A agonia agora está e se instalou aqui.

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