Hoje é o Dia Mundial do Livro, seja impresso ou digital. Eu já
publiquei oito e em maio virá o nono.
Quantas obras li ao longo da vida? Ufff....muitas. Centenas, no mínimo.
Ler
foi sempre a minha diversão preferida. Não apenas livros, mas também quadrinhos
e revistas do tipo que fosse. Muito do que li me ajudou a virar gente. E como
gostava muito de ler, acho que em algum momento, sem perceber, pensei que seria
natural escrever. E depois disso veio a vontade de publicar.
Comecei participando de concursos ali pelos 18 anos. Queria apresentar
ao mundo a minha prosa e poesia. Se desse para ganhar um troféu, brinde, certificado
ou dinheiro, melhor ainda.
Daí vieram as primeiras participações em coletâneas de
poesia, contos e crônicas. A partir de 2008 comecei a ter a sorte de lançar meus
livros solo. Enquanto isso, seguia lendo. Sigo, na verdade, em um ritmo bem
mais lento do que na distante juventude, mas sigo.
Toda vez que falo sobre a minha trajetória de autor, gosto
de lembrar o papel de minha mãe, dona Gracineide, nesse processo. Moradores de
um pueblito bem afastado dos grandes centros da Venezuela, nunca deixou que me
faltassem livros.
Lembro que até fez assinatura de revista que trazia livros como
encarte, além de dicionários e enciclopédias. Assim li os grandes clássicos da
literatura venezuelana.
Nossa estante na sala era pequenina, mas cabia muita
coisa. Até um Cem anos de solidão, que apareceu nela e foi lido e relido muitas
vezes antes que eu completasse 13 anos.
Um dia descobri que numa das salas de um galpão próximo à
pracinha da cidade funcionava a biblioteca pública de Guasipati. Comecei a ir sempre
que podia. Depois mudou para um prédio próprio, ao lado da quadra central de
esportes, e lá fui eu, seguindo os livros da seção infanto-juvenil.
Do Brasil, resumindo muito, lia nessa época as
HQs, revistas de variedades e livros para crianças que meus avôs e tios me mandavam
ou presenteavam quando vinha passar as férias. Tudo isso antes dos 14 anos.
Quando viemos morar em Roraima, continuei leitor de livros e de tudo o que caísse na mão, para ser
sincero), ora comprando, ora emprestando de amigos ou de bibliotecas, principalmente
a que funcionava no primeiro prédio do Sesc.
Tanto a frequentei no ensino médio
e nos dois primeiros anos da universidade que as pessoas achavam que trabalhava
lá. Inclusive, depois de bem adulto, muitas continuavam pensando isso.
Poderia fazer um livro sobre minha vida como leitor de
livros: dos que perdi emprestando, dos que ganhei, dos que comprei e nunca
abri, da fila de leitura que tenho mesmo depois de ter decidido ser mais
regulado na compra deles. Mas o tempo é curto e agora preciso ler coisas acadêmicas
para produzir textos acadêmicos. Não é nada gostoso comparado ao prazer da
leitura e escritas literárias, mas é necessário. Não tanto como navegar nas
linhas de uma boa prosa ou poesia, claro.
Viva o livro, viva a leitura, viva
quem lê e viva quem escreve.