6h15 mais ou menos. Estou quase no primeiro quilômetro do trotinho desta terça carnavalesca. Vento frio e gostoso no rosto. O bar automatizado no bairro Caçari está cheio de jovens bebendo e conversando alto, naquela energia que essa idade ainda permite ter depois de passarem a noite acordados.
Começam a falar comigo e a me imitar correndo, dizendo que vão me acompanhar. Sorrio, gesticulo para que me sigam e um deles grita: eu vou e do
jeito do senhor: sem camisa!
Sorrio novamente e vejo que o menino, realmente sem camiseta, vem atrás de mim e emparelha:
— Bora correr!
— Bora, mas de chinelo tu pode se machucar.
— Machuco nada!
— Então bora.
— Acho que não vou mais não. Tenho que ir ali beber, fumar e usar nóia.
— Vai lá. Boa sorte! — respondo, rio e sigo meu rumo, invejando a disposição desse povo para festejar.
Lembrei de uns dois anos atrás, quando acordei bem cedo para um treino de 22 km e decidi que iria tomar água na casa de minha mãe, no Cinturão Verde.
(11 km para ir, 11 km para voltar. Facinho, pensei. Saudades desse tempo)
Quando estava na Glaycon de Paiva, do lado do IFRR, uns 8 km percorridos, o sol bem longe de nascer, passou um carro com o som bem alto, o pessoal começou a buzinar, um dos rapazes botou a cabeça para fora e gritou:
— Para que correr tão cedoooooo?
Fui rindo e me questionando sobre isso o restante do percurso.
Voltando a esta terça, passei depois em frente a outro bar automatizado, desta vez no final da Ville Roy, e a turma não estava tão tranquila como no primeiro: tinha um camburão da CIPA parado e os policiais do lado de fora olhando para um rapaz gritando e sentado no chão, visivelmente transtornado.
Quando fiz o retorno, o SAMU havia chegado e estava com o jovem pronto para ser levado ao hospital.
Nesses casos não tem sorriso. Só pensamentos sobre os exageros noturnos.

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