terça-feira, setembro 24, 2019

E fui falar de vida e literatura pros meninos da escola Maria das Neves


Turma linda da Maria das Neves Rezende

A convite do projeto Literatura a Caminho, coordenado pelo escritor Aldenor Pimentel e financiado pelo Itaú Cultural, estive na última sexta-feira (20.09) na escola estadual Maria das Neves Rezende, lá no bairro Asa Branca, para conversar com duas turmas de adolescentes. 




Um mural desses, bicho...





  


A meninada tinha entre 15 e 18 anos, em média. Como fazia tempo que não falava com gente dessa idade, comecei perguntando dos pontos que poderíamos ter em comum se fossemos da mesma faixa etária: reprovações no ensino médio, pais separados, corações partidos, corações apaixonados, quem era migrante, quem tinha pais migrantes. Só esqueci de perguntar quem era da Venezuela. No meio da fala descobri que quase metade da plateia era formada por jovens que chegaram recentemente do país vizinho, fugindo da crise que está rolando por lá. 







Teve sorteio de livros para os estudantes

Os meninos apresentaram duas esquetes baseadas em contos de meu livro “Sem Grandes Delongas” e, quero deixar bem claro, me surpreenderam com o tanto de coisa que viram nas histórias. Conseguiram inclusive me deixar confuso enquanto aceleradamente procurava em meus arquivos quais eram esses contos que estavam encenando.  Meus parabéns aos alunos e à professora Joanecy, que coordenou as encenações. 



Uma das esquetes que os meninos montaram

Nas fotos de Adriana Duarte, fotógrafa venezuelana que acompanha o projeto, vocês podem ver o capricho com que fui recebido, né? Muralzão bonito desses, sorrisos dos estudantes e, disso não tem foto, um suco de acerola espetacular no final, trazido pela coordenadora da escola, Maria Edna. 


Com Aldenor Pimentel, responsável pelo projeto



Curti muito a experiência. Fazia muito tempo mesmo que não trocava ideias com estudantes sobre literatura e vida de artista. Não é por falta de vontade, mas sim por uma postura muito comum das escolas de Roraima: todas querem oficinas e a presença dos escritores, mas poucas querem comprar nossos livros ou pagar um cachê para bancar as atividades. E como há um tempo decidi, por vários motivos, parar de ir gratuitamente a estas ações, tenho andado afastado das salas de aula. Tomara que esse pensamento de não valorização financeira do trabalho do escritor mude, pois adoro essas conversas. Elas rejuvenescem e me dão assunto para conversar cada vez mais.  

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