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Final e começo de mês é o tempo de planejar o que fazer com o que se ganhou ou vai se ganhar. Tempo de planejamento.
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Verificam-se as entradas e as possíveis e confirmadas saídas de grana, adiam-se projetos, adiantam-se vontades, corre-se para o cheque especial, se for o caso.
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Na capital, meus primos civilizados jogam no Excel as receitas e despesas. Alguns riem de alegria pois aquela vontade será saciada. Outros, riem de desespero pois não sabem como vão chegar no próximo final de mês.
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Na minha aldeia, ponho as contas de meus colares na mesa, pego todos os papeis de fiado e jogo uma aritmética que tente me favorecer. O desafio: tocar a vida e guardar pelo menos umas penas para o escambo com os brancos.
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Listadas as necessidades, cortadas as vontades, analisadas todas as possibilidades, vejo que a renda ainda tem condições de cobrir o corpo desrendado. Isso desde que não chegue o IPTU, o IPVA, o IR e outra qualquer coisita a más neste mês que se inicia hoje.
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Sobrevivente, pergunto-me: como é que vivem as pessoas com renda igual ou inferior a um salário mínimo?
Enquanto não encontro resposta, vou cantando Sucursal del Cielo, música do guatemalteco Ricardo Arjona:
Me sorprendí sumando ceros a una cuenta
Víctima del impuesto sobre la renta
Y me olvide de las pequeñas cosas (...)
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